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Meia-noite em Paris

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Reescrevi este texto algumas vezes, tentando encontrar um tom um pouquinho mais digno e menos tiete. Até que desisti e resolvi usar os adjetivos que realmente me vieram à cabeça. Meia-noite em Paris é absolutamente sensacional, daquele jeito que Woody Allen é. E se ele é fantástico em Nova York, nem sei dizer o que é em Paris – aliás, morro de curiosidade de ver o que ele faria filmando aqui no Rio, mas isso é assunto para outro post.

Voltando ao assunto, é difícil definir o mote principal do filme. Seria sobre um casal afastado pelas diferenças? Sim. Seria sobre os maiores artistas do século passado? Também. Mas, basicamente, é sobre a relação que as pessoas tem com o seu presente e a forma com que cada um vive a nostalgia.

Meia-noite em Paris foi a forma que Woody Allen encontrou de mostrar que cada época tem suas vantagens e desvantagens e pouco adianta ficar preso ao passado.

Transportando isso pra moda, é basicamente o que a gente aprende em qualquer manual de estilo. Se inspirar, buscar referências e trazer o que funcionou na época para o agora. Coisa que a figurinista Sonia Grande faz muito bem.

Grande acerta com todos os personagens, mas saí do cinema querendo muito todo o guarda-roupa da Inez (Rachel McAdams). Cara de it girl, jeito de rica, nariz empinado e muito Dior, Chanel e Hermes.

Quero esse casaquinho de tweed da Chanel e quero agora!

Figurinos à parte, o filme todo vale a ida ao cinema. Aos 75 anos, Woody Allen ainda está em plena forma e merece ser visto.

A Onda

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Ontem foi um sábado dedicado ao meu programa preferido. O trio: namorado, brigadeiro e DVD. De bônus, os amigos e um filme sensacional!

 

A Onda é uma produção alemã (não torça o nariz antes de conhecer! #ficaadica) baseada em um caso que ocorreu em Palo Alto, na Califórnia, em 1967.

Na vida real, o professor de high school Ron Jones deveria ensinar aos seus alunos o que é uma autocracia. Perguntado sobre a responsabilidade do povo alemão diante das atrocidades de Hitler ele propôs um exercício simples, para mostrar a turma como era seguir as ordens de um líder. Logo de cara, os alunos entraram no clima da experiência, mas aos poucos o movimento foi ficando cada vez mais violento, até que Jones foi obrigado a interromper a simulação.

O diretor alemão, Dennis Gansel, acertou ao levar a história de Palo Alto para a Alemanha atual. Assim como aconteceu na Califórnia, tudo começa com uma pergunta básica: é possível ressurgir o nazismo na Alemanha? O professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) acha que sim e, para provar isso aos seus jovens alunos, transforma a classe toda em um movimento que tem
como lema “a força pela disciplina”.

Os cento e sete minutos de filme nos dão muito em que pensar. Todo mundo gosta de ter a ilusão de que é completamente diferente do vizinho ao lado, mas na verdade, a maioria quer apenas “se encaixar” e, para isso, acaba se submetendo a várias regras – mesmo que muitas vezes elas sejam completamente arbitrárias e contrárias aos nossos valores.

A moda é um exemplo disso, e a primeira coisa a ser abolida em um regime onde não existe a noção de indivíduo. Preste atenção na cena onde a personagem Karo (Jennifer Ulrich) experimenta uma camisa branca, o “uniforme” da Onda. Ela se olha no espelho por todos os ângulos, mas não consegue se ver vestida com aquilo. Parece futilidade, mas na verdade, é a questão central do filme: porque nós, seres humanos, e sociais por natureza, abrimos mão da nossa individualidade com tanta facilidade em nome de um grupo?

Resumo da história: vale MUITO a pena deixar o pipocão americano de lado de vez em quando e assistir a um filme em outra língua que não seja o inglês! J